Pé no pó da terra erma,
o poeta errante rompe,
sem sede, sede ou fome,
( pois a dor que o consome
é pouso, pão e sustenta ),
vales, campinas e montes;
até que a noite escureça.
Busca no norte e no oeste,
busca no sul, busca no leste,
e, ampliando os horizontes,
busca nas funduras da terra,
no espaço, nas ilusões que sidera,
o nirvana, onde espera estar
o fim das aflições da espécie.
À beira dum regato manso,
deita o corpo, agora lasso,
e lança o olhar ao espaço
para ver se nas estrelas,
nas lembranças da infância,
no infinito que alcança,
distingue o destino que almeja.
Assim entendo a peleja
a que estamos condenados :
da racionalidade é o fado
que ilumina e enlouquece,
pois, pensar é o único pecado
exclusivamente humano.
Cerro os olhos. Cai o pano.
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